ARTIGO – Educação em Joinville à beira da improvisação: Por que é hora de olhar além dos contratos temporários!
Jane Becker – Professora, servidora pública e ex presidente do SINSEJ. .
Nos últimos anos, Joinville realizou três concursos públicos para a educação municipal — uma conquista importante. Porém, o lançamento contínuo de editais para contratação temporária sinaliza que o problema persiste: se o concurso não foi suficiente, a solução correta não pode ser improvisar.
O SINSEJ tem papel crucial nesse debate e compromisso sindical com a defesa incondicional do CONCURSO PÚBLICO. Portanto, como foi a praxis da gestão SERVIDOR EM LUTA, a atual direção deve pressionar a prefeitura para convocar concurso imediato ao invés de recorrer a contratação de temporários. Uma cobrança firme vai mostrar compromisso com a valorização dos trabalhadores e a qualidade do ensino.
Dados revelam a gravidade da situação. O cenário nacional é preocupante, e Joinville não está isolada da lógica de precarização:
- Em 2023, pela primeira vez no Censo Escolar, os temporários superaram os professores efetivos nas redes estaduais do país: 51,6 % contra 46,5 %.
- Em Santa Catarina, o panorama é ainda mais severo: 71 % dos professores da rede estadual são temporários.
- Além disso, nas últimas décadas o número de efetivos caiu dramaticamente. De 2013 a 2023, os concursados despencaram de 68,4 % para 46,5 %, enquanto os temporários saltaram de 31,1 % para 51,6 %.
- O Plano Nacional de Educação — Lei 13.005/2014 — estipula que 90 % dos professores da educação pública deveriam ser efetivos até 2017, o que ainda está longe de ser alcançado.
Em Joinville (rede municipal), ainda que o percentual de temporários possa ser menor do que o estadual, a tendência nacional já demonstra os riscos: a falta de estabilidade afeta diretamente o ambiente escolar e o aprendizado.
Vamos refletir sobre o impacto na aprendizagem e na escola como instituição. A instabilidade dos contratos temporários impede:
- Vínculo entre professor e aluno: sem continuidade, o trabalho pedagógico perde profundidade e eficácia.
- Consolidação de projetos educacionais: equipes sem estabilidade não conseguem sustentar iniciativas de longo prazo, enfraquecendo o projeto político-pedagógico das escolas.
- Valorização docente: temporários sofrem com baixos salários, ausência de plano de carreira, sobrecarga e insegurança, fatores que desestimulam o engajamento profissional.
- Descontinuidade e desmotivação: a rotatividade sistemática compromete a qualidade do ensino e o rendimento dos estudantes. Sem surpresa, reflexos negativos são visíveis nos indicadores do SAEB e em avaliações internas.
O que favorece um modelo saudável e sustentável?
- Concursos regulares e transparentes — após três tentativas, se o número de aprovados efetivados foi insuficiente, é hora de convocar de novo.
- Pressão organizada do sindicato — é essencial cobrar prazos, transparência e compromisso concreto da prefeitura.
- Valorização do servidor efetivo — plano de carreira, progressões, estabilidade: fatores que retêm talento e fortalecem a escola como instituição.
- Planejamento público de longo prazo — investimento que considera aposentadorias, crescimento da rede, necessidades pedagógicas, e não apenas soluções de momento.
A educação pública não pode ser tratada como emergência permanente. A insistência em contratos temporários reflete falta de planejamento e fragiliza tanto quem ensina quanto quem aprende. Se Joinville realmente quer avançar, o caminho é claro: mais concursos, menos improvisação; sindicato atuante, menos apatia; estabilidade, mais qualidade.

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