Após surto de infecção contagiosa em CEI, professora acusa prefeitura de negligência
Doença conhecida como “Mão-pé-boca” infectou mais de 10 crianças em CEI do Iririú e teria deixado uma professora, que já tinha comorbidades, internada na UTI. Prefeitura dá outra versão sobre os fatos. .
O Chuville Notícias recebeu denúncia de uma professora do CEI Sementinha, localizado no bairro Iririú, de que a Secretaria de Educação teria sido negligente no tratamento de uma doença contagiosa conhecida como “Mão-pé-boca”.
Segundo a profissional, que preferiu não ser identificada, há cerca de duas semanas as crianças começaram a apresentar os sintomas, mas somente ontem (04/09) os pais começaram a ser notificados e os protocolos serem devidamente cumpridos.
Como agravante, uma outra professora pegou a doença e teve complicações, indo parar na UTI do Hospital Regional. “Ela foi na UPA, teve diagnóstico inconclusivo e como ela já tinha comorbidades, teve parada cardiorrespiratória. Agora ela não está mais na UTI, mas ainda inspira cuidados”, contou a professora denunciante.
Apesar de contagiosa, a doença “Mão-pé-boca” costuma ter sintomas leves e atinge mais as crianças. Os adultos também podem pegar o vírus, mas quem tem alguma comorbidade, o organismo pode não reagir bem.
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“Abafaram o caso”, diz profissional
A professora que acusa a prefeitura de negligência explica que os protocolos conhecidos não foram aplicados no tempo certo para conter a transmissão. Segundo ela, a direção do CEI Sementinha até tentou notificar os pais quando os sintomas iniciaram, mas a Secretaria da Educação teria se negado a passar a situação a todos.
Assim, o vírus foi se espalhando, atingindo três professoras e mais de 10 crianças. “Se a Secretaria não autorizar, nada pode ser feito”, conta ela, ilustrando o lado sombrio da centralização de decisões, fato já apontado como problema em outras denúncias.
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Sindicato visitou o CEI nesta sexta-feira
Após denúncia, representantes do Sinsej (Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville) tiveram na manhã desta sexta-feira (5) no CEI Sementinha. A presidente da entidade, a professora Mara Tavares explica que este não é um caso isolado e faz parte da rotina de quem trabalha na educação. Neste momento a situação está controlada porque os protocolos foram iniciados, mas o município não estaria cumprindo o que diz a Norma Regulamentadora nº 15 do Ministério do Trabalho, que fala sobre o pagamento de insalubridade devido ao contato direto com materiais contaminantes.
“Nós sabemos que diversos municípios garantem esse direito aos servidores da educação que trabalham diretamente em contato com as secreções das crianças, então iremos encaminhar uma solicitação de perícia técnica à prefeitura, no sentido de reinvindicar a aplicação do que está previsto na NR-15 Anexo 14, que trata da exposição a agentes biológicos”, adiantou Mara.
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Prefeitura dá outra versão dos fatos
Em resposta a esta reportagem, a Secretaria da Educação, por meio de assessoria de imprensa, disse que desde o início dos sintomas todos os protocolos foram seguidos, incluindo o comunicado da doença à Vigilância Epidemiológica e Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do bairro.
Disse ainda que materiais de tecido da sala dos alunos contaminados foram retirados, além de ter sido feita a higienização do local diariamente, conforme orientação técnica. Sobre o aviso aos pais, a assessoria da prefeitura informou que todos os pais foram avisados e que, no momento, três crianças estão afastadas por atestado.
Em relação ao estado de saúde da professora que chegou a ficar internada na UTI, a Secretaria da Educação afirmou ainda que não há relação com a doença “Mão-pé-boca”.
Doença Mão-Pé-Boca: uma infecção viral comum na infância
A doença Mão-pé-boca é uma infecção viral altamente contagiosa que acomete principalmente crianças menores de cinco anos, embora possa também afetar adultos. A doença recebe esse nome devido à localização característica dos sintomas: feridas dolorosas na boca e erupções cutâneas nas mãos e nos pés.
A transmissão ocorre através de múltiplas vias:
- Contato direto com saliva, secreções respiratórias ou fezes de pessoas infectadas
- Gotículas expelidas pela tosse ou espirro
- Contato com superfícies e objetos contaminados
- Via fecal-oral, incluindo água contaminada
É importante destacar que a criança pode transmitir o vírus mesmo antes de apresentar sintomas, e a eliminação viral pode persistir por até quatro semanas após a recuperação.
A doença manifesta-se inicialmente com febre, que pode atingir temperaturas superiores a 39°C e durar de dois a três dias. Os sintomas mais característicos incluem: feridas dolorosas na boca, língua, amígdalas e faringe, manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro, dificuldade para engolir e aumento da salivação, além de bolha e lesões na pele.
O isolamento é uma das formas de conter a transmissão do vírus.

Leandro Schmitz
Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.











